Há um tempo especial com os cantores da canção azul e vermelha.
Desde este ano, o braçadeira no braço esquerdo e a camisa número 10 nas costas parecem um pouco pesados.
Mas, no momento em que ouço 'You’ll never walk alone', sinto que 'não estou sozinho'.
Além do tempo dos sonhos――.
Keigo HIGASHI e a família de Tóquio caminham juntos, mantendo o mesmo ritmo.
Buscando a primeira conquista da Liga J1.
Se for Tóquio, é Yuruneba!!
Após a partida da 12ª rodada da J1 League contra o Sapporo nesta temporada, o Ajinomoto, animado com a vitória por 2 a 0, foi envolvido por um grande coro de "You’ll never walk alone". A partir daí, essa canção vem se firmando como o hino da vitória. Quem iniciou isso foi Keigo HIGASHI, que atua como capitão desde esta temporada.
Foi quando vi o vídeo da dança tradicional maori "Haka", que a seleção de rugby da Nova Zelândia dança antes dos jogos, em um site de vídeos. "Isso é incrível", fiquei hipnotizado. Pensando "Seria ótimo criar essa sensação de união no Ajinomoto", me ocorreu: "Se é o FC Tokyo, então é com o 'Yuruneba'!!"
"Este ano, especialmente porque estávamos vencendo em casa, quisemos transformar o sentimento de 'querer vencer mais, querer ficar mais empolgado' em algo concreto. Queríamos compartilhar esse sentimento com as pessoas que estavam lá."
Essa ideia foi chamada aos fãs e apoiadores para ser realizada, mas também havia uma certa apreensão.
"Não sei se todos que vêm ao estádio vão conseguir cantar, e talvez nem fique animado"
Mas isso acabou sendo uma preocupação desnecessária. Com a euforia da vitória, desde o início o Yuruneba tocou em alto volume pelo estádio. O próprio Higashi disse: "Estudei para conseguir cantar direito, não dá para quem sugeriu a ideia não saber a letra", e logo decorou a letra, cantando com força junto aos cantores azul e vermelho.
"Isto é incrivelmente agradável"
Foi um grande sucesso. Entre eles, os jogadores formados na academia receberam isso com entusiasmo. É uma canção que ouviram e cresceram ouvindo desde a infância. Diante dessa cena, não há como não se emocionar.
"Fiquei feliz quando Go HATANO, Tsuyoshi WATANABE e Kiichi YAJIMA disseram em uníssono 'É o melhor'. 'Espero que isso se torne algo comum daqui para frente'. Foi um momento em que pensei assim."
Quero me apaixonar — se eu dissesse isso a Higashi de alguns anos atrás, quem ficaria mais surpreso seria o próprio Higashi.
"Quando cheguei aqui, para ser honesto, não pensei profundamente. Jogar nas partidas havia se tornado algo natural, e de alguma forma minha vontade de melhorar havia diminuído. Eu dizia que não estava satisfeito, mas participei das Olimpíadas e, olhando para trás, acabei ficando satisfeito com isso."
Ele vestiu as cores azul e vermelho no ano de 2013, um ano após as Olimpíadas de Londres, quando avançaram para as semifinais pela primeira vez em 44 anos. Naquela época, Higashi estava longe de ser alguém rude, mas de certa forma estava desanimado.
"Eu achava que seria mais legal poder fazer tudo de forma inteligente. Se eu puder dar 100% no jogo, está tudo bem. Eu tenho meu próprio jeito de fazer as coisas."
Prioridade aos resultados em vez do processo. Se eu puder dar meu máximo no jogo, não importa se em dias normais de treino eu não estiver muito animado. Eu acreditava firmemente que esse é o mundo dos profissionais.
As costas que estavam lá
Não quero mostrar aos outros o esforço que faço. Tal talento abafado logo chega a um impasse. Em agosto de 2014, sofreu uma lesão muscular no músculo da coxa direita, resultando na primeira ausência prolongada desde que entrou no profissional. O diagnóstico indicou um tempo de recuperação de aproximadamente 6 a 8 semanas. Embora tenha retornado conforme o planejado após 2 meses, permaneceu sem a posição fixa e passou o restante da temporada entrando em campo como substituto.
"Foi então que pensei pela primeira vez que não podia continuar assim"
Naquele momento, o treinador Bruno Conca (na época) me chamou e disse "Posso falar um pouco?".
"Durante o jogo você se esforça tanto, então por que Keigo não se dedica ao máximo nos treinos diários?"
Essa pergunta atingiu um ponto sensível. A partir daquele dia, ele mudou o olhar e também a forma de passar seus dias. Aprendeu diariamente, foi grato e suou a camisa. Quando tirou as mãos dos bolsos e começou a andar, a paisagem também mudou. "Eu não era do tipo que se interessava pelas pessoas", disse Keigo HIGASHI, que percebeu que muitos exemplos estavam bem próximos dele.
"Ver a postura do Nyuu-san (Naotake HANYU) e do Nao-san (Naohiro ISHIKAWA) pode ter sido algo muito importante. Essas pessoas sempre pensavam no time. Mas, quando estavam em campo, também conseguiam mostrar suas qualidades. Isso foi realmente um grande aprendizado. Tive muitas oportunidades de sair para comer com o Nao-san, então conversamos sobre várias coisas. Ao ouvir sobre a paixão dele por Tóquio, naturalmente comecei a querer fortalecer ainda mais este time. Por isso, o apego e o sentimento por Tóquio foram ficando cada vez mais fortes."
Fui impactado pelas costas que sobreviveram ao rigoroso mundo profissional com um corpo pequeno, e pela luta interna enfrentando lesões. Esses sentimentos começaram a surgir naturalmente.
E então, ao ver Hanyu como um excelente coadjuvante apoiando a equipe, ele começou a se identificar com seu próprio futuro. Higashi continua.
"Eu sempre fui um jogador que precisava coexistir com os outros ao meu redor. Não sou do tipo que consegue fazer algo sozinho, preciso estar em sintonia com os outros. Isso foi algo que aprendi com o Nyuu-san."
Para o time, continuo apoiando alguém tanto no ataque quanto na defesa. Estou sempre atento ao redor, preenchendo as lacunas. Nunca deixo ninguém sozinho no campo.
Você nunca caminhará sozinho (君は一人じゃない)――。
Antes que percebesse, ele já era o jogador que combinava com essa frase.
◇Keigo HIGASHIPerfil
texto por Kohei Baba
